• 11/08/2017 16:51hs
  • Mateus

É comum assimilar design à parte estética de produtos, marcas ou layouts, no entanto isso não mostra a totalidade do design. Pense em design como projetar algo com um objetivo, não apenas o lado estético mas também o lado funcional. Quando falamos de interfaces especificamente, falamos da construção de meios de comunicação entre uma pessoa e uma máquina.

Pensar em UI (user interface) design é pensar em projetar uma interface que não gere momentos de insegurança para o usuário, que deixe claro quais serão os resultados de suas ações e garantir que o mesmo realize todas as tarefas de forma simples e eficiente, em outras palavras, o usuário “não precisará de um manual de instruções”. Para isso existem dez heurísticas criadas por Jakob Nielsen, cientista da computação, que ajudam a projetar uma boa interface e por consequência uma ótima experiência de uso.

1. Visibilidade do Status do Sistema

O ser humano é muito dependente da visão, mesmo possuindo outros sentidos que também informam o que está acontecendo ao redor, mas falando de um sistema, software ou interface essa história muda um pouco. Em ambientes digitais a dependência da visão é ainda maior e por conta disso é essencial que a interface forneça ao usuário o status em relação à sua posição dentro do sistema, ou seja, informar o usuário sobre qual ambiente ele estava, em qual ele está e para quais outros ambientes ele poderá se dirigir a partir de sua localização.

Quando estamos assistindo uma playlist no Youtube, por exemplo, temos ao lado direito um indicador de qual vídeo estamos assistindo, quais os vídeos anteriores e quais os seguintes.

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2. Compatibilidade entre o sistema e o mundo real

Imagine que um húngaro e um sueco estejam trocando cartas entre si, a conversa entre ambos seria um tanto complicada levando em conta que eles não possuem um idioma em comum. O que quero dizer com essa analogia é que um sistema precisa falar a mesma linguagem do usuário, não estou falando apenas do idioma em si mas da linguagem que o usuário utiliza no dia-a-dia.

Outro aspecto da compatibilidade entre sistema e mundo real são os símbolos utilizados dentro de uma interface. Parece algo sem muita importância mas escolher corretamente quais ícones serão utilizados para colocar em uma interface pode facilitar ou prejudicar a compreensão das informações.

3. Controle e liberdade para o usuário

Aquele momento que você acaba deletando sem querer um email com um documento importante anexado e fica desesperado, mas ao ir até a lixeira você o encontra e tem aquela sensação de alívio.

O ponto aqui é que quando o usuário realiza ações por engano, algo que é frequente, o sistema deve apresentar ao usuário uma "saída de emergência" daquele estado no qual ele entrou para retornar ao estado anterior de segurança em que estava, em outras palavras, dê ao usuário o "Ctrl+Z" pois essa possibilidade de reverter ações remove a insegurança do usuário ao utilizar a aplicação.

 

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4. Consistência e Padronização

Manter consistência entre as telas de uma aplicação é essencial para que não seja necessário o entendimento de vários padrões e formas de interações diferentes para cada tela, uma vez aprendido será algo replicável em outros contextos. Além disso o usuário não terá a sensação de estar pedido, motivo pelo qual muitos usuários não interagem com as aplicações.

 

Um grande exemplo de consistência e padronização é o Google. Toda a linguagem visual, todo tipo de interação, ícones, cores, etc. seguem um mesmo padrão desenvolvido pela equipe de design.

 

5. Prevenção de erros

Existem dois tipos de erros que os usuários normalmente cometem: o deslize e o engano. O deslize é quando um usuário pretende realizar uma ação mas acaba realizando outra, isso acontece tipicamente quando ele não está totalmente focado em sua ação dentro da aplicação. Já o engano é quando alguma informação é entendida de forma errônea.

 

Portanto melhor do que mostrar mensagens de erro é prevenir que o usuário não cometa esse erro. Caixas de confirmação, como as que aparecem quando você deleta um arquivo, são um exemplo de como evitar erros.

 

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6. Reconhecimento em vez de memorização

O cérebro é muito bom em reconhecer padrões e na medida em que objetos, ações e opções ficam expostos para o usuário mais dicas chegam ao cérebro tornando certas ações familiares. É preferível dar ao usuário formas de reconhecer padrões do que ter que obrigá-lo a memorizar várias informações na medida que ele navega pela aplicação. A grande diferença entre reconhecer e memorizar é a quantidade de dicas que são fornecidas para que um conhecimento seja acessado, reconhecer padrões fornece muito mais dicas do que tentar acessar memórias. Tente lembrar de uma senha (memorização) ou tente salvar um arquivo no Excel (reconhecimento).

 

7. Eficiência e flexibilidade de uso

O ideal é que a interface seja útil tanto para usuários leigos como para experientes. Leigos precisam de informações mais detalhadas para poderem realizar tarefas mas na medida que crescem em conhecimento sobre a interface, a necessidade de formas mais rápidas de interação para realizar uma tarefa começam a surgir. "Alt+Tab ou Ctrl+C e Crtl+V ou Windows+D" são exemplos de atalhos que permitem ao usuário mais experiente realizar tarefas mais rapidamente.

 

8. Estética e design minimalista

Quanto maior a quantidade de informação maior será a quantidade de análises e decisões que o usuário precisará tomar, por isso, é crucial manter apenas as informações que são realmente necessárias, informações secundárias podem ser deixadas em segundo plano (menus, abas, etc.) assim a aplicação se torna muito eficiente no quesito transmitir informações relevantes aos usuários.

 

9. Ajude os usuários a reconhecerem, diagnosticarem e recuperarem-se de erros

Não basta apenas evitar que o usuário cometa um erro ou permitir que ele reverta uma ação, o ponto aqui é ajudá-lo a reparar um erro depois de ele ter acontecido.

 

Um exemplo são aqueles avisos de formulários nos campos que não foram preenchidos corretamente. É uma forma simples de mostrar para o usuário que ele cometeu um erro, onde errou e o que precisa ser feito para corrigir tal erro.

 

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10. Ajuda e documentação

Normalmente essas são as áreas menos acessadas, mas ainda assim elas são importantes dentro de um sistema pois nunca se sabe quando um usuário irá precisar de uma ajuda. É como se fosse uma maneira "faça você mesmo" do usuário resolver suas dúvidas de quais ações tomar dentro da aplicação tornando-o mais independente do suporte ou contato com a TI.

 

Conclusão

De um modo geral todas estas heurísticas são importantes e devem ser consideradas, no entanto, pensando especificamente em aplicações de BI a consistência e padronização (4), reconhecimento em vez de memorização (6) e estética e design minimalista (8) são as principais a serem consideradas e falo isso tendo como objetivo o desenvolvimento de uma experiência de uso que envolva os usuários com os dados e entregue informações verdadeiramente úteis para a empresa.